Estava eu a jantar assistindo tv ontem, e passou uma propaganda dizendo para os pais levarem seus filhos ao Shopping para verem "boizinhos, porquinhos, pôneis e muitos outros animaizinhos..." Eu fiquei pasma, que cúmulo!!
Agora sim, eu entro as piadinhas do meu professor de biologia, o Pedrão, que sempre diz "você, que é piá de prédio e que conheçeu cenoura no google... " Agora sim eu entendo porque quando eu era criança meus pais quiseram sair de Maringá e ir para Colorado. Meu Deus, que calúnia, ir num shopping ver vaca! Caramba, a 5 quarteirões da minha casa eu via um rebanho! Todos os dias, para ir ao colégio, eu passava do lado de duas éguas que pertenciam ao meu vizinho! Sem contar as inumeras vezes que eu andei de pônei ou de cavalo!!
Essas crianças de cidade grande não saber o que é ter infância... Ficar sentado em frente a um video-game (tá, sejamos mais modernos, a um nintendo Wii) ou de um computador, depender dos pais para ir à esquina, para elas isso é infância! Elas não sabem o que é brincar de esconde-esconde num espaço de cinco quarteirões, elas não sabem o que é brincar de bets ou "queimada" no meio da rua, com o campo delimitado por riscos feitos com pedras, elas não sabem ir à escola a pé, e voltar parando na vendinha pra comprar "geladinho de morango" pra ficar com a língua vermelha! Isso sim é ter infância, isso sim é ser criança!
Hoje, esses "piá de prédio" tem que ir á exposições NO SHOPPING pra ver vaca, ou então fazem uma EXCURSÃO nas férias pra dizer que conhecem um sítio na vida! E os pais aceitam isso, eles aceitam pegar o carro e levá-los ao shpping para ver porcos rosinhas e limpinhos! GRANDE EXPERIÊNCIA essa! Eles nunca vão ver os porcos na sua pura realidade: sujos, fedidos, e prontos pra matança... Sim, eu já vi matarem um porco! Procedimento caseiro, nada de curtumes ou fábricas!
Ah, eu me revolto com essa situação (eu sei, dá pra perceber!), a minha mãe sempre me pergunta por que eu gosto tanto de cidade grande... agora eu sei: Porque eu nunca tinha intendido porque mudamos de uma. E porque eu não tenho filhos.
Mostrando postagens com marcador infância. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador infância. Mostrar todas as postagens
domingo, 26 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
Brincadeiras da Vida III
No primeiro, eu falei das crianças e dos adultos. No segundo, só dos adultos. Neste, falarei só das crianças.
Algo me perturba há dias... mais especificamente na ultima sexta que eu estava em Curitiba.
Há uns 15 anos atrás, as crianças com cerca de 4 e 5 anos pulavam de felicidade ao ganhar um LP da Xuxa, se fantasiavam e tinham o microfone com "fru-frus" laranja, cópia perfeita ao da Xuxa no programa "Xow da X
uxa"... e as músicas da Xuxa eram relativamente inteligentes para crianças dessa idade: tinham conteúdo, tinham histórias, tinham ideologias, e claro, tinham ritmo (como em "Lambaxuxa", ou então a consagrada "Ilariê").
uxa"... e as músicas da Xuxa eram relativamente inteligentes para crianças dessa idade: tinham conteúdo, tinham histórias, tinham ideologias, e claro, tinham ritmo (como em "Lambaxuxa", ou então a consagrada "Ilariê").Passados 4 anos, novas crianças ainda ouviam Xuxa, cujas músicas já tinham mudado um pouco, temas um pouco mais românticos e músicas um pouco mais agitadas. Só que aqui já começou a existir a Era Sandy & Junior, músicas "romanticóides" cheias de "eu cresci agora sou mulher" ou então algo que fugia da inocência das crianças como "pra você me dar um beijo, você vai ter que rebolar..."
Aliás, o que realmente fugia da pura inocência de crianças de 5 e 6 anos era o "Tchan". Digo isso por experiência própria: minha irmã, nessa idade, ouvia Xuxa. Eu, com essa idade, ouvia Xuxa também , é claro, mas eu sabia todos os passos de "Segura o tchan, amarra o tchan, segura o tchan tchan tchan tchan tchan... depois de nove meses você tem o resultado..." - e isso lá era música pra uma criança ouvir???
Mas, como eu sempre digo, esse mundo consegue me surpreender. Estava eu no tubo esperando o biarticulado para ir à rodoviária, e lá tinha uma menina de 4 anos, 5 no máximo. Ela começou a cantar "a magia está no ar", erguendo as mãozinhas para cima... eu pensei, será que é uma nova música da Xuxa? Me enganei. Ela continuou "...sinto fogo na arena, o cavalo a celar, isso é coisa de cinema, uma beca invocada, um pingente no chapéu, ouço uma oração, sinto um pedaço do céu, alô galera de cowboy, alô galera de peão, quem gosta de rodeio bate forte com a mão!!"... Juro que pensei "esse mundo está perdido". Essa criança nem sabe o que significa "uma beca invocada", nem sabe a origem da palavra cowboy, e estava lá, cantando toda saltitante! Mas a culpa não é só dela, nem só dos pais!! Ora, a partir do momento que a saudosa Xuxa começou a cantar "5 patinhos foram passear..." com aquelas melodias de fazer neném dormir, o que as crianças, cheias de energia por causa das balas e chocolates, iriam preferir: dormir ou pular, mesmo sem saber o porquê da pulação?
Convenhamos, inocentes elas continuam sendo, é claro, mas cadê a liberdade de expressar essa inocência? Cadê os adultos que proclamam o amor, um "arco-íris de energia"? Quem se candidata a essa função??
domingo, 21 de junho de 2009
Brincadeiras da vida
Um grupo de crianças passeava pelo parque. Todas brincavam, felizes, sem se preocupar com a vida, sem se preocupar com a morte, sem se preocupar com o amanhã.
Quando eu as vi, fiquei a pensar. Lembrei-me de certo dia, quando eu tinha uns oito anos, que eu falei pra minha mãe:
_ Não vejo a hora de ser adulta, mãe!
E ela me respondeu:
_ Filha, não pense nisso. Viva essa sua infância tudo o que você puder. Brinque, ria, aproveite o Sol, porque isso vai passar, e você sentirá muita falta do seu passado.
Pois é, mãe é mãe, como ela tinha razão. Eu vendo aqueles meninos e meninas contentes, sem se preocupar com contas, com uma profissão, eles tinham todo o tempo do mundo para eles, não havia vingança, ódio, inveja... O máximo que eles podem fazer é gritar "Seu chato!", e isso não é o fim da vida para eles. Eles não precisam se preocupar com estudos, com carreiras, com futuros.
Já nós, adultos, não. Não tenho tempo pra mim, é só estudos, preocupações com dinheiro, pensar numa carreira. Meu maior medo é sonhar tanto, e realizar quase nada! Há quanto tempo eu não tenho três horas livres, para assistir um filme! Há quanto tempo eu não saio à noite, numa festa, só pra curtir, pra dançar, pra ouvir uma boa música. Tudo culpa da nossa forma de vida, não que seja errada, mas que nos torna injustos com nossas próprias vontades. Eu preciso estudar, passar no vestibular, há uma espectativa dos outros e minha sobre mim mesma. E o pior, vivemos na defensiva, sempre com "um pé atrás", acreditando que aquele está do seu lado só se faz seu amigo, mas ele na verdade quer seu mal. Qualquer palavra mal dita para nós é sinônimo de ofensas, desacatos.
Essas crianças ainda possuem a verdadeira liberdade. Nós adultos esperamos, algum dia voltar a tê-la.
Hoje, se eu pudesse, diria à minha mãe:
_ Mãe, quero voltar a ser criança!
Mas já é tarde demais.
Quando eu as vi, fiquei a pensar. Lembrei-me de certo dia, quando eu tinha uns oito anos, que eu falei pra minha mãe:
_ Não vejo a hora de ser adulta, mãe!
E ela me respondeu:
_ Filha, não pense nisso. Viva essa sua infância tudo o que você puder. Brinque, ria, aproveite o Sol, porque isso vai passar, e você sentirá muita falta do seu passado.
Pois é, mãe é mãe, como ela tinha razão. Eu vendo aqueles meninos e meninas contentes, sem se preocupar com contas, com uma profissão, eles tinham todo o tempo do mundo para eles, não havia vingança, ódio, inveja... O máximo que eles podem fazer é gritar "Seu chato!", e isso não é o fim da vida para eles. Eles não precisam se preocupar com estudos, com carreiras, com futuros.
Já nós, adultos, não. Não tenho tempo pra mim, é só estudos, preocupações com dinheiro, pensar numa carreira. Meu maior medo é sonhar tanto, e realizar quase nada! Há quanto tempo eu não tenho três horas livres, para assistir um filme! Há quanto tempo eu não saio à noite, numa festa, só pra curtir, pra dançar, pra ouvir uma boa música. Tudo culpa da nossa forma de vida, não que seja errada, mas que nos torna injustos com nossas próprias vontades. Eu preciso estudar, passar no vestibular, há uma espectativa dos outros e minha sobre mim mesma. E o pior, vivemos na defensiva, sempre com "um pé atrás", acreditando que aquele está do seu lado só se faz seu amigo, mas ele na verdade quer seu mal. Qualquer palavra mal dita para nós é sinônimo de ofensas, desacatos.
Essas crianças ainda possuem a verdadeira liberdade. Nós adultos esperamos, algum dia voltar a tê-la.
Hoje, se eu pudesse, diria à minha mãe:
_ Mãe, quero voltar a ser criança!
Mas já é tarde demais.
Assinar:
Postagens (Atom)