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sábado, 5 de setembro de 2009

Retrato de Família


Mamãe, por favor, pare de chorar
Não suporto mais esse som
A tua dor é dolorosa para mim e
Está me fazendo mal
Eu ouço vidros se quebrando
Sentada em minha cama
Vocês brigam por causa de dinheiro
E por mim e meu irmão

Não é fácil crescer em meio a 3ª Guerra Mundial
Nunca sabendo o que o amor pode fazer
Você vai ver, eu não quero um amor que me destrua
Assim como está fazendo com a minha família

Nós podemos melhorar isto
Eu prometo que serei melhor daqui a diante
Mamãe, eu faço qualquer coisa
Nós podemos ser uma família
Papai, por favor, não vá embora

Papai, pare de gritar
Eu não aguento mais
Faça a minha mãe parar de chorar
Pois eu preciso de vocês dois juntos comigo
A minha mãe te ama!
Não importa se o que ela diz é verdade
Eu sei que ela te magoou,
Mas não se esqueça que eu te amo também
Estou fugindo disto hoje, estou fugindo desse barulho
Eu não quero voltar para aquele lugar
Mas eu não tenho escolhas

Mas, no nosso retrato de família
Nós parecemos muito felizes
Vamos brincar de fingir, vamos agir assim
Fazer com que isso se torne natural
Eu não quero ter que dividir as férias
Eu não quero dois endereços
Eu não quero um meio –irmão
E eu não quero que minha mãe tenha que trocar o seu ultimo nome

Mamãe eu serei boazinha
Eu serei muito melhor
Eu vou falar com meu irmão
Eu não irei cuspir o leite durante o jantar
Eu farei tudo direito
Eu serei a sua pequena garotinha para sempre
Eu vou dormir a noite
Papai não vá embora... não vá, papai.
b
b
b
P.S.: desculpa se eu sumi gente, só que topo tudo pra passar no vestibular, até deixar de escrever. Mas não sumam, leitores ociosos!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Anel de família

_ Fica com ele, filha, é herança do seu avô, era a aliança dele.

Foi isso que a minha mãe disse pra mim. Eu fiquei muito, muito honrada.
Eu nunca conheci os meus avôs, só as avós. Os dois já tinham morrido quando eu nasci. E eu senti falta de um avô, das palavras sabias que eles poderiam me dar, das brincadeiras que poderíamos fazer, dos sorvetes que ele pagaria pra mim.

O anel que eu recebi era do meu avô por parte de pai, seu Nelson. Eu tenho certeza de que ele seria o melhor avô do mundo pra mim. Não é desprezo pelo outro, é só que eu, psicologicamente, me pareço muito com a família Menon. Quando ele morreu, meu pai ficou com a aliança, e mandou fazer um solitário para a minha mãe.
Parecia que ele sabia que um dia esse anel seria meu. Eu sou apaixonada por solitários, e o primeiro que eu vi foi esse. O ouro amarelo em contraste com a pedra branca e reluzente, que brilha sozinha, mas imperante. Receber esse anel foi uma honra.
Mas o meu apego com esse anel não é só material. Esse anel marcou o início de uma família, da família Menon. Ele é história. Saber que aquele anel já existe a mais tempo que eu me atordoa. Quantas experiências ele "viveu" com o meu avô e com a minha mãe? Quantas lembranças?

Esse anel marcou momentos importantes na vida de cada um. A partir de agora, ele irá marcar a minha vida. Misteriosa e solitáriamente, como um raio de luz que refrata no seu brilhante, sim, ele marcará.