Hoje falarei só do presente. Darei uma de jornalista.
Minha irmã foi fazer plantão ontem à noite no hospital Evangélico daqui de Curitiba, e ela teve acesso aos raios-X e tomografias do deputado Fernando Ribas Carli Filho, e bom, de certo modo foi uma surpresa. Primeiro, a diferença da qualidade dos exames privilegiados, é claro, só porque era um "deputado". Segundo, e pior: o caríssimo senhor tinha atrofiamento cerebral devido o alto uso de drogas e alcool. E também que sua mandíbula saiu do lugar e seu nariz ficou todo deformado. Mas isso não importa para ele. Minha irmã disse que uma cirurgia reconstroi e o deixará sem sequelas.
Tudo bem, tudo isso é algo comum no Brasil. Mas é que nunca vemos o outro lado. Não o lado do deputado, longe de mim, mas de outras pessoas, com realidades totalmente diferentes do caro amigo citado.
Enquanto ele tem dinheiro para beber, para fumar, para matar, e ficar praticamente "ileso", outras crianças não sabem qual a cor de uma nota de dez reais!
Meu professor Tadeu, de química, carisma honrado, dá aula também na UFPR, outro dia veio contar que ele participa de cursinhos populares, e também dá umas aulinhas para crianças de lá. Ele relatou que essas crianças não sabiam o que era lavar a mão antes de comer, nunca tinham ido ao banheiro. Enquanto ele contava, eu imaginava os olhinhos brilhantes, atonitos, e emocionados daquelas criançinhas imundas vendo fixamente a água sair pela torneira.
E eu que achava que só existia crianças comendo "sopa de larva" na África. E eu que sentia raiva do deputado só porque ele havia matado dois inocentes.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
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