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domingo, 26 de julho de 2009

Um Cúmulo!

Estava eu a jantar assistindo tv ontem, e passou uma propaganda dizendo para os pais levarem seus filhos ao Shopping para verem "boizinhos, porquinhos, pôneis e muitos outros animaizinhos..." Eu fiquei pasma, que cúmulo!!

Agora sim, eu entro as piadinhas do meu professor de biologia, o Pedrão, que sempre diz "você, que é piá de prédio e que conheçeu cenoura no google... " Agora sim eu entendo porque quando eu era criança meus pais quiseram sair de Maringá e ir para Colorado. Meu Deus, que calúnia, ir num shopping ver vaca! Caramba, a 5 quarteirões da minha casa eu via um rebanho! Todos os dias, para ir ao colégio, eu passava do lado de duas éguas que pertenciam ao meu vizinho! Sem contar as inumeras vezes que eu andei de pônei ou de cavalo!!

Essas crianças de cidade grande não saber o que é ter infância... Ficar sentado em frente a um video-game (tá, sejamos mais modernos, a um nintendo Wii) ou de um computador, depender dos pais para ir à esquina, para elas isso é infância! Elas não sabem o que é brincar de esconde-esconde num espaço de cinco quarteirões, elas não sabem o que é brincar de bets ou "queimada" no meio da rua, com o campo delimitado por riscos feitos com pedras, elas não sabem ir à escola a pé, e voltar parando na vendinha pra comprar "geladinho de morango" pra ficar com a língua vermelha! Isso sim é ter infância, isso sim é ser criança!

Hoje, esses "piá de prédio" tem que ir á exposições NO SHOPPING pra ver vaca, ou então fazem uma EXCURSÃO nas férias pra dizer que conhecem um sítio na vida! E os pais aceitam isso, eles aceitam pegar o carro e levá-los ao shpping para ver porcos rosinhas e limpinhos! GRANDE EXPERIÊNCIA essa! Eles nunca vão ver os porcos na sua pura realidade: sujos, fedidos, e prontos pra matança... Sim, eu já vi matarem um porco! Procedimento caseiro, nada de curtumes ou fábricas!

Ah, eu me revolto com essa situação (eu sei, dá pra perceber!), a minha mãe sempre me pergunta por que eu gosto tanto de cidade grande... agora eu sei: Porque eu nunca tinha intendido porque mudamos de uma. E porque eu não tenho filhos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Brincadeiras da Vida III

No primeiro, eu falei das crianças e dos adultos. No segundo, só dos adultos. Neste, falarei só das crianças.
Algo me perturba há dias... mais especificamente na ultima sexta que eu estava em Curitiba.

Há uns 15 anos atrás, as crianças com cerca de 4 e 5 anos pulavam de felicidade ao ganhar um LP da Xuxa, se fantasiavam e tinham o microfone com "fru-frus" laranja, cópia perfeita ao da Xuxa no programa "Xow da Xuxa"... e as músicas da Xuxa eram relativamente inteligentes para crianças dessa idade: tinham conteúdo, tinham histórias, tinham ideologias, e claro, tinham ritmo (como em "Lambaxuxa", ou então a consagrada "Ilariê").


Passados 4 anos, novas crianças ainda ouviam Xuxa, cujas músicas já tinham mudado um pouco, temas um pouco mais românticos e músicas um pouco mais agitadas. Só que aqui já começou a existir a Era Sandy & Junior, músicas "romanticóides" cheias de "eu cresci agora sou mulher" ou então algo que fugia da inocência das crianças como "pra você me dar um beijo, você vai ter que rebolar..."

Aliás, o que realmente fugia da pura inocência de crianças de 5 e 6 anos era o "Tchan". Digo isso por experiência própria: minha irmã, nessa idade, ouvia Xuxa. Eu, com essa idade, ouvia Xuxa também , é claro, mas eu sabia todos os passos de "Segura o tchan, amarra o tchan, segura o tchan tchan tchan tchan tchan... depois de nove meses você tem o resultado..." - e isso lá era música pra uma criança ouvir???

Mas, como eu sempre digo, esse mundo consegue me surpreender. Estava eu no tubo esperando o biarticulado para ir à rodoviária, e lá tinha uma menina de 4 anos, 5 no máximo. Ela começou a cantar "a magia está no ar", erguendo as mãozinhas para cima... eu pensei, será que é uma nova música da Xuxa? Me enganei. Ela continuou "...sinto fogo na arena, o cavalo a celar, isso é coisa de cinema, uma beca invocada, um pingente no chapéu, ouço uma oração, sinto um pedaço do céu, alô galera de cowboy, alô galera de peão, quem gosta de rodeio bate forte com a mão!!"... Juro que pensei "esse mundo está perdido". Essa criança nem sabe o que significa "uma beca invocada", nem sabe a origem da palavra cowboy, e estava lá, cantando toda saltitante! Mas a culpa não é só dela, nem só dos pais!! Ora, a partir do momento que a saudosa Xuxa começou a cantar "5 patinhos foram passear..." com aquelas melodias de fazer neném dormir, o que as crianças, cheias de energia por causa das balas e chocolates, iriam preferir: dormir ou pular, mesmo sem saber o porquê da pulação?

Convenhamos, inocentes elas continuam sendo, é claro, mas cadê a liberdade de expressar essa inocência? Cadê os adultos que proclamam o amor, um "arco-íris de energia"? Quem se candidata a essa função??

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Brincadeiras da vida II

Hoje falarei só do presente. Darei uma de jornalista.
Minha irmã foi fazer plantão ontem à noite no hospital Evangélico daqui de Curitiba, e ela teve acesso aos raios-X e tomografias do deputado Fernando Ribas Carli Filho, e bom, de certo modo foi uma surpresa. Primeiro, a diferença da qualidade dos exames privilegiados, é claro, só porque era um "deputado". Segundo, e pior: o caríssimo senhor tinha atrofiamento cerebral devido o alto uso de drogas e alcool. E também que sua mandíbula saiu do lugar e seu nariz ficou todo deformado. Mas isso não importa para ele. Minha irmã disse que uma cirurgia reconstroi e o deixará sem sequelas.

Tudo bem, tudo isso é algo comum no Brasil. Mas é que nunca vemos o outro lado. Não o lado do deputado, longe de mim, mas de outras pessoas, com realidades totalmente diferentes do caro amigo citado.
Enquanto ele tem dinheiro para beber, para fumar, para matar, e ficar praticamente "ileso", outras crianças não sabem qual a cor de uma nota de dez reais!

Meu professor Tadeu, de química, carisma honrado, dá aula também na UFPR, outro dia veio contar que ele participa de cursinhos populares, e também dá umas aulinhas para crianças de lá. Ele relatou que essas crianças não sabiam o que era lavar a mão antes de comer, nunca tinham ido ao banheiro. Enquanto ele contava, eu imaginava os olhinhos brilhantes, atonitos, e emocionados daquelas criançinhas imundas vendo fixamente a água sair pela torneira.

E eu que achava que só existia crianças comendo "sopa de larva" na África. E eu que sentia raiva do deputado só porque ele havia matado dois inocentes.